Goiânia volta ao centro do motociclismo mundial entre os dias 20 e 22 de março, ao sediar o MotoGP, principal campeonato de motovelocidade do mundo. Após mais de duas décadas sem corridas no Brasil, a capital será a única sede da América Latina e terá o Autódromo Internacional Ayrton Senna como palco das disputas, com calendário confirmado até 2030.

A expectativa é que o evento vá além do impacto esportivo e impulsione diferentes setores da economia. O turismo é um dos principais beneficiados, mas os reflexos já começam a aparecer também no mercado imobiliário. Segundo estudo do Instituto Mauro Borges, mais de 150 mil pessoas devem passar pela cidade durante o evento.

A rede hoteleira tradicional, que conta com cerca de 19 mil leitos, já opera próxima da lotação máxima. A projeção é que mais de 67 mil visitantes busquem hospedagem fora da capital ainda neste ano, o que fortalece o mercado de locação por curta temporada, segmento que já vinha em expansão em Goiânia.

“O MotoGP deve continuar reverberando no turismo, já que muitos espectadores tendem a retornar à cidade, não apenas para novas edições da corrida, mas também para conhecer melhor seus atrativos”, afirma o especialista imobiliário Henrique Campelo, gerente comercial e de marketing da Euro Incorporações.

Nesse cenário, os apartamentos compactos ganham protagonismo. Em quatro anos, o volume de lançamentos desse tipo de imóvel cresceu mais de dez vezes na capital, segundo levantamento da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário em Goiás. Em 2021, foram lançadas 160 unidades, número que saltou para 1.702 em 2025.

Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, a rentabilidade dos imóveis para aluguel segue em alta. Goiânia aparece como a segunda melhor cidade do país para investir em imóveis voltados à locação, de acordo com ranking da MySide. A taxa de retorno chega a 15,1% ao ano, ficando atrás apenas de São José, em Santa Catarina.

Com o mercado aquecido, algumas regiões ganham destaque, como o Parque Lozandes. A localização estratégica, próxima a equipamentos como o Centro Cultural Oscar Niemeyer, o Autódromo Internacional Ayrton Senna e o Estádio Serra Dourada, somada às restrições de adensamento urbano, contribui para a valorização dos empreendimentos.

“Nas proximidades do Paço Municipal, a presença de prédios públicos e as limitações de verticalização garantem exclusividade aos projetos existentes. Isso resulta em menor concorrência e maior potencial de valorização para locação”, destaca Campelo.

Um exemplo desse movimento é o complexo de uso misto Euro Towers, da Euro Incorporações, que está em construção. As unidades compactas do empreendimento tiveram 80% das vendas realizadas ainda no lançamento.

“Todas as unidades compactas, entre 48 e 67 metros quadrados, foram comercializadas. Atualmente, restam unidades médias, a partir de 78 metros quadrados, com configurações diferenciadas como duplex, grand studios e apartamentos que chegam a 153 metros quadrados”, explica.