No quarto trimestre de 2025, de acordo com uma pesquisa realizada em novembro pela Brain Inteligência Estratégica, a intenção de compra de imóveis atingiu o maior nível da série histórica, chegando a 50%. Em setembro do mesmo ano, o índice era de 48%. Os números consolidam este como o patamar mais alto já registrado, desde 2019.

O indicador reflete um crescimento robusto em comparação ao mesmo período do ano anterior. No quarto trimestre de 2024, o desejo de adquirir um imóvel era compartilhado por 45% dos entrevistados, o que representa uma alta de 5 pontos percentuais na comparação anual.

Em termos absolutos, esse interesse traduz-se em milhões de lares brasileiros, com cerca de 9% da população, o equivalente a 4,2 milhões de famílias, tendo efetivamente concretizado a compra de um imóvel nos últimos 12 meses.


Linha do tempo da intenção de compra de imóveis. Créditos: Brain Inteligência Estratégica



Geração Z e extremos de renda lideram o interesse

O recorde de intenção de compra é impulsionado por perfis específicos de consumidores. O grande destaque geracional é a Geração Z (21 a 28 anos), cujo interesse pelo mercado imobiliário saltou de 46% ao final de 2024 para expressivos 56%, em novembro de 2025. Em contrapartida, os Baby Boomers (61 a 79 anos) apresentam a menor intenção, com 31%.

No recorte por renda, o desejo de compra é mais acentuado nos extremos. Famílias com renda acima de R$ 20 mil lideram, com 54% de intenção. As famílias com renda entre R$2,5 mil e R$ 5 mil aparecem logo em seguida, com 53%.

Motivações para intenção de compra

A decisão de buscar um novo imóvel é movida, majoritariamente, por transições de vida (55%), que incluem momentos como casamento, independência ou necessidade de mudança de localidade. Embora tenha apresentado uma leve queda em relação ao ano anterior, "sair do aluguel" continua sendo a principal motivação individual, citada por 32% dos interessados.

Outros fatores relevantes que impulsionam o mercado incluem: upgrade (29%), com a busca por imóveis maiores, mais novos ou com melhores benefícios; e investimento (11%). O último perfil vem ganhando destaque, com a compra para locação atingindo 10% das motivações, uma retomada importante frente aos períodos anteriores.

Quanto ao prazo para a concretização do negócio, o otimismo é evidente: 35% dos interessados planejam adquirir o imóvel em até um ano, enquanto outros 35% projetam a compra para um horizonte entre um e dois anos. Atualmente, entre os que possuem intenção, 37% ainda não iniciaram a busca ativa, 8% já pesquisam online e 5% já estão visitando unidades físicas.

Conforme análise de Brain, quando o consumidor declara que pretende comprar, ele antecipa movimentos de demanda, revela confiança econômica e aponta onde estão as próximas oportunidades, e também os riscos. Os dados mostram que, mesmo em um cenário de juros elevados e maior seletividade, o desejo de aquisição permanece ativo.