1) Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas, apesar de juros

Apesar o crescimento dos estoques, o mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com recordes em lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, mesmo em um cenário de juros elevados, e a expectativa é que 2026 ao menos bata os bons resultados do ano anterior. As impressões e dados fazem parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre de 2025, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta segunda-feira (23). Ao longo de 2025, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, alta de 10,6% em relação a 2024. O valor geral lançado (VGL) somou R$ 292,3 bilhões. Para o conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, o desempenho mostra que as incorporadoras reagiram diretamente à demanda, mesmo em um ambiente de crédito mais caro.

2) São Paulo terá uma Times Square? Si, pero no mucho

O cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, em São Paulo, vai em breve poder exibir anúncios luminosos em painéis nas paredes dos prédios. Mas engana-se quem imagina que o trecho vai funcionar como uma “Times Square” paulistana. Diferentemente dos telões de Nova York, onde empresas do mundo inteiro disputam o espaço e pagam alguns milhões de dólares para veicular anúncios das suas marcas, na capital paulista os painéis terão finalidade exclusivamente cultural. A novidade faz parte do “Boulevard São João”, um projeto da Prefeitura para requalificar o Centro e que prevê a instalação de painéis de LED no Largo do Paissandú. As obras começaram neste mês e a expectativa é que os painéis comecem a funcionar ainda neste semestre. Os painéis luminosos devem ser usados para a exibição de artes digitais e para a transmissão de informações sobre eventos culturais, como a Virada Cultural.

3) Abrainc: fim da 6x1 encarecerá obras em 20% e afetará 5 milhões de famílias

A Abrainc afirma em estudo que o fim da escala 6x1 vai encarecer as obras em 20% e deve impactar o acesso à casa própria de 4,8 milhões de famílias. O resultado considera que a mão de obra representa cerca de 40% do custo dos empreendimentos e, com a redução de jornada de trabalho, considerando efeitos diretos e indiretos sobre trabalho, materiais e serviços, o custo total dos empreendimentos em relação ao VGV (valor geral de vendas) deve subir em 5,5% no cenário de 40 horas e em 11% no cenário de 36 horas, segundo a pesquisa feita pela Ecconit. Em nota, a Abrainc defende que o debate sobre novos modelos de jornada de trabalho precisa ser "feito com cautela e considerando os impactos em toda a sociedade".

4) Inadimplência vai à máxima histórica com juro alto e endividamento

Uma combinação de juros altos, endividamento das famílias e mudança regulatória levou a inadimplência média das operações de crédito bancário a atingir 4,2% em janeiro, a máxima da série histórica das estatísticas do Banco Central (BC) iniciada em 2011. O indicador de operações com atraso superior a 90 dias subiu ao longo de todo o ano passado. Nos três últimos meses de 2025, ficou em 4%, nível também recorde. Antes, o pico havia sido em maio de 2017, após a última grande recessão econômica. A piora também reflete uma mudança na qualidade da carteira, com aumento da participação de linhas de maior risco, como cheque especial e rotativo do cartão. No crédito com recursos livres, que reflete as operações livremente pactuadas pelo mercado, a inadimplência subiu para 5,5%, depois de registrar 5,4% em dezembro. Já no crédito direcionado, caso de financiamento imobiliário e rural, subiu para 2,5%, ante 2,2%.

5) FIIs Atingem R$ 200 Bi e B3 Prepara Nova Fase com Derivativos

O mercado de FIIs (atingiu marcas históricas em janeiro de 2026, consolidando um movimento de crescimento estrutural. Segundo dados do boletim de FIIs da B3, o setor alcançou o recorde de 3 milhões de investidores. Se por um lado as pessoas físicas seguem dominando a estratégia de “comprar e segurar” para receber dividendos detendo 72,9% da custódia, o mercado secundário ferve com outros participantes. Os investidores institucionais já representam 40% do volume negociado diariamente. Para absorver o apetite desses grandes players e manter a liquidez em alta, a bolsa já planeja os próximos passos, e eles incluem preparar o terreno para mais derivativos e grandes lotes, segundo Bianca Maria, da B3. “A grande questão agora é: como desenvolvemos os derivativos de fundo imobiliário? É isso que atrai cada vez mais o investidor não residente e o institucional, pois permite que eles façam estratégias mais complexas com o produto”, afirma a executiva.

6) Personalização ganha espaço na decisão de compra de imóveis

Mudanças demográficas e sociais vêm alterando a forma como os brasileiros avaliam a compra de um imóvel residencial. A redução do número médio de moradores por domicílio e a maior diversidade dos arranjos familiares têm influenciado expectativas relacionadas ao uso do espaço, à funcionalidade e à capacidade de adaptação das residências ao longo do tempo. Essas transformações estão detalhadas no estudo "Comportamento do consumidor de imóveis em 2040", desenvolvido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) em parceria com a Deloitte. A pesquisa analisa tendências de longo prazo a partir de dados populacionais, sociais e econômicos, com o objetivo de compreender como os brasileiros devem habitar nas próximas décadas.

7) Tokenização: Justiça barra “sistema paralelo” e reforça segurança nas transações imobiliárias

Sentença da Justiça Federal da 1ª Região, publicada na última semana, declarou nula a Resolução Cofeci nº 1.551/2025, que previa a vinculação de matrículas imobiliárias a tokens em blockchain, criando, na prática, um sistema paralelo de registro de imóveis. A decisão atende ação do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR). Na sentença, o juiz Francisco Valle Brum apontou que a norma extrapolou sua competência regulatória, afrontou atribuição privativa da União e gerou insegurança jurídica ao criar um modelo paralelo de registro de imóveis, além de invadir a esfera normativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

8) Aston Martin lança prédio de luxo em João Pessoa com apartamentos de até R$ 8 milhões

O João Pessoa, a capital da Paraíba, foi a cidade escolhida para sediar o primeiro projeto residencial com a assinatura da montadora britânica Aston Martin em toda a América do Sul. Batizado de Setai Residences Interiors by Aston Martin, o empreendimento consolida uma tendência crescente no mercado imobiliário global de ultraluxo. Nesse modelo de negócio, marcas automotivas de alto prestígio transpõem sua identidade visual e sofisticação para endereços de altíssimo padrão. Ao todo, o complexo oferecerá 200 unidades residenciais, com plantas que variam de 105 a 320 metros quadrados. Já os preços dos apartamentos devem oscilar entre R$ 2 milhões e R$ 8 milhões.

9) Impulsionado pelo MCMV, fundo imobiliário mira projeto de R$ 58 milhões em São Paulo

Segundo o comunicado divulgado ao mercado, o espaço possui uma área total de 1.500 metros quadrados (m²) e será adquirido por meio das investidas do FII. De acordo com o documento, estudos de implantação e mercado indicam para o local a viabilidade da construção de um edifício multifamiliar residencial, com um total de 240 unidades. A Mérito Investimentos, gestora do fundo, estima que o projeto possa alcançar um Valor Geral de Vendas (VGV) de aproximadamente R$ 58 milhões, embora tenha informado que não espera impactos relevantes nos rendimentos no curto prazo. Com pouco mais de 32,4 mil cotistas na B3, o MFII11 tem se destacado por sua estratégia voltada a empreendimentos residenciais principalmente ligados ao MCMV.

10) Escassez de terrenos transforma quadras de tênis em símbolo de luxo em prédios de alto padrão

Dados da consultoria Brain Inteligência Estratégica indicam que o número de novos lançamentos com quadras de tênis em São Paulo subiu de sete, em 2020, para 25, em 2025. O item está presente em 27% dos empreendimentos de luxo e superluxo lançados na capital paulista desde 2020. O avanço caminha na esteira do aumento de praticantes do esporte globalmente. Segundo o relatório da International Tennis Federation de 2024, mais de 106 milhões de pessoas praticam o esporte regularmente, um avanço de 22% em relação ao relatório anterior, publicado em 2021. Na América do Sul, são 8,8 milhões de jogadores.